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3 dicas simples para identificar se o escritor tem domínio das regras cordelianas
João Santana

cordeis-baixa

Oração, métrica e rima
São as regras do Cordel,
Também são da Cantoria
A medida mais fiel,
Dançam ao som da viola
E brilham sobre o papel.

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O que define uma obra literária como Literatura de Cordel?

Existem divergências sobre o que significa o termo Literatura de Cordel, porém uma coisa é unanimidade entre os poetas: Para que uma obra literária seja Literatura de Cordel requer, obrigatoriamente, o domínio de três quesitos por parte de seu escritor.

Neste texto eu não vou me ater às origens da Literatura de Cordel, mas sim a essas três características que aqui chamarei de regras cordelianas: Rima, Métrica e Oração.

Ainda neste post explicarei três formas simples de identificar o uso fiel dessas regras.

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O que realmente caracteriza a Literatura de Cordel é o uso rigoroso das regras de rima, métrica e oração. Estas são aplicadas à escrita de histórias ou de textos informativos, descritivos e outros, os dando o formato de Literatura de Cordel.

Tudo aquilo que estiver escrito sem obedecer simultaneamente a essas três regras não é Literatura de Cordel, mesmo que seja exposto pendurado em cordões ou obedeça isoladamente uma ou duas dessas regras.

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A rima da Literatura de Cordel é a rima perfeita, ou seja, rima na sonoridade e na forma escrita. Por exemplo: Pedagógico rima com lógico, mas café não rima com mulher.

Tenho visto com certa frequência materiais sendo denominados de Cordel, onde não há rima, muitas vezes nem a vogal tônica é a mesma nas palavras que deveriam rimar.

Para alguns profissionais do Cordel há raras exceções aceitas onde a rima sonora não coincide com a escrita, como rimar paz com mais (e ainda há aqueles que o evitam fazer).

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Métrica é o termo usado para o número de sílabas poéticas de cada verso conforme a estrutura da estrofe. Por exemplo: Uma sextilha de versos de sete sílabas deve ter obrigatoriamente todos os versos com sete sílabas poéticas, também chamadas de sílabas rítmicas.

Falhas na métrica podem ser aceitas em raríssimos casos, em função de palavras ou termos específicos fundamentais à transmissão da mensagem desejada que excedem ao número de sílabas comportado pelo verso de acordo com a estrutura da estrofe.

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A oração, em resumo, é o uso das palavras para a expressão de um pensamento de modo lógico e belo. É a transmissão consistente da mensagem em cada estrofe e na sequência das estrofes.

Mesmo que a mensagem seja adornada por floreios poéticos, deve manter uma linha de raciocínio lógico para estabelecer uma comunicação clara com o leitor ou ouvinte.

Diversos poetas e compositores usam em suas estrofes a métrica rigorosa, a rima correta e a oração bem aplicada, mas suas obras não necessariamente são classificadas como Literatura de Cordel, pois essas características não são atributos exclusivos do gênero. No entanto, para uma obra ser Literatura de Cordel é obrigatória a observação rigorosa das três regras cordelianas.

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A junção harmoniosa da oração com a métrica e a rima é o grande desafio do poeta cordelista. As obras que são intituladas como Literatura de Cordel por autores que se aventuram no ramo sem obedecer às regras cordelianas, em maioria, atendem a duas das regras e pecam em uma. Quando as falhas não se concentram na quebra da rima, estão na desconformidade da métrica ou na oração confusa.

Tenho encontrado materiais sendo chamados de Cordel onde as regras cordelianas são praticamente dizimadas. De todo modo, acredito que poderemos ajudar a todos os interessados em escrever Literatura de Cordel ao passo em que sistematizarmos essas regras e os segredos que estão por trás da criação cordeliana.

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Fazer Literatura de Cordel não é muito fácil no começo, mas quem tem vocação logo acha o caminho. Escrever estrofes com maestria em relação à rigidez de métrica, à perfeição na rima e à lógica da oração não é tarefa muito simples, ainda mais complexa quando adicionados elementos como fertilidade de imaginação, filosofia, técnicas para prender a atenção do leitor, atinência à linguagem simples e outros.

Se é difícil escrever estrofes seguindo as regras cordelianas, imagine o grau de dificuldade de cantar repentes obedecendo a essas regras… É um bom esporte cerebral para quem quer exercitar a mente. Que tal tentar?

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Três dicas para identificar a fidelidade às regras cordelianas em uma obra:

1 – Observe se a rima usada coincide em escrita e sonoridade.

2 – Analise se as estrofes fazem sentido claro ao se perguntar: A estrofe transmite uma mensagem direta e de raciocínio ordenado, ou mistura palavras apenas para rimar? Ao ler essa estrofe, consigo facilmente visualizá-la como imagem ou cena em minha mente? A sequência das estrofes faz sentido, elas se complementam?

3 – Conte o número de sílabas poéticas de cada verso nas estrofes e identifique se são versos septissílabos ou outra métrica usada como a dos decassílabos. Feito isso, avalie se todos estão ritmicamente metrificados.

* Caso não consiga identificar uma sílaba poética, leia o artigo “Sílabas Poéticas e lembre-se que há diferentes aplicações para as sílabas proparoxítonas no Cordel e no Repente, de acordo com o autor, e que pequenos “arrochos” de métrica podem ser usados em casos excepcionais, mas não como regra.

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Concluindo, convido você a ler o e-cordel gratuito A Origem do Repente, escrito em sextilhas, e a visitar a LOJA VIRTUAL do Verso Encantado!

Se você gostou e tem alguma dúvida ou comentário a fazer, não deixe de se expressar, curta, comente e compartilhe!

Um abraço,
João Santana

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