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Tudo certo quanto à métrica,
À rima e à oração…
Mas, na hora de compor,
Como achar inspiração?
Não se aplica apenas técnica
Na arte da criação.

Como aprender a criar, compor, com inspiração?

 

Eu e tantos outros poetas do Cordel e do Repente temos falado de métrica, rima e oração poética, contudo, ainda me perguntam: “mas e a inspiração?”. Para responder a perguntas como esta, falarei do aprendizado, da habilidade e da inspiração.

É comum para um repentista ouvir perguntas como: “é possível aprender repente ou é só para quem tem o dom? ”. Em uma entrevista recente, fui mais uma vez questionado sobre a inspiração. “É preciso estar inspirado para cantar repentes” dizia o repórter, “como você se mantém inspirado assim? ”.

Muitas pessoas pensam que os versos de um repentista são fruto exclusivo de uma inspiração que “baixou”, um “lampejo celeste” ou algo do tipo. Não é exatamente assim. Em um post anterior (A alquimia dos versos), falei um pouco sobre o aprendizado: “Todo o processo de aprendizagem, repleto de prática, leva à fixação do conhecimento e este quando reforçado pela prática desenvolve no indivíduo a habilidade”. Existe a habilidade aprendida e exercitada. A inspiração de cada momento pode se somar à habilidade, produzindo os grandes momentos.

O aprendizado, ao contrário do que muitos talvez pensem, não está e nunca esteve restrito aos meios educacionais oficiais. Basta revisarmos a história e notarmos que alguns dos maiores artistas, inventores, líderes e responsáveis por transformações de toda a humanidade não passaram muito tempo nas escolas formais.

Não digo que as escolas formais não são úteis, pois o são em muitos casos, mas a vontade de aprender é a mais poderosa mola que impulsiona o ser humano ao desenvolvimento de habilidades e talentos. Essa força interior de busca por aprendizado é o que faz a diferença, seja no acúmulo e aplicação de conhecimentos ligados às artes, ciências exatas, humanas ou espirituais, ou a quaisquer outros tipos de conhecimentos.

 

Como aprender a produzir poesia, compor músicas ou outras criações artísticas?

Se você tem uma habilidade criativa específica que não está bem desenvolvida, trate de desenvolvê-la. Desenvolva-a por meio de aulas, observação, autodidatismo ou outros meios.

As escolas e universidades podem fornecer bases e elementos que contribuirão para a criação artística, mas o uso das faculdades criativas está além da capacidade de reprodução do conhecimento adquirido. É necessário exercitar o músculo da criatividade e desenvolvê-lo.

 

E a inspiração?

Ela é extremamente necessária, mas também é preciso exercitar o músculo receptor da inspiração. A inspiração no plano externo está vibrando no ar, sempre em busca de uma mente receptiva. O desafio então é saber tornar-se receptivo à inspiração, e mais, não depender de ela vir quando ela quiser. Saber trazê-la na hora em que se precisa dela.

 

Eu uso, basicamente, duas estratégias simples:

 

1 – Quando a inspiração vem “sem ser chamada” eu abro as portas da casa e me transformo no mais atencioso anfitrião do planeta.

Estou falando sério. Se ela chegar de madrugada, esqueço que tenho de dormir e não me preocupo com o dia seguinte (lembre-se que é preciso ter boa saúde para isso).

Algumas das melhores composições e ideias que tive surgiram em meio a reuniões, aulas, deslocamentos em trânsito e outras atividades. Não há problema em sair da sala para gravar uma melodia, ou puxar um bloco de anotações para escrever algo. Se houver problemas com isso, cabe uma reflexão sobre o que se quer e o que se faz da vida  e como compatibilizar melhor as coisas (profissão, rotina, prioridades, compromissos, organização, etc.).

 

2 – Exercício constante da minha arte.

Se quando estou inspirado eu exercito minha arte com entusiasmo, uso o caminho inverso e exercito minha arte com entusiasmo para que me sinta inspirado. É importante que você tenha o compromisso e a disciplina de seguir uma agenda e exercitar a sua arte, mesmo que não esteja previamente inspirado.

Experimente reservar um tempo para exercitar suas faculdades criativas. Comece parando para criar algo (de acordo com sua área de criação), e faça isso com certa tranquilidade, sem compromisso de resultado imediato do tipo relâmpago. A ansiedade pode fazer você travar. Dê asas ao pensamento com entusiasmo e se fizer isso com regularidade logo verá o quão mais produtivo em termos de produção criativa você estará e, principalmente, perceberá um progresso expressivo na qualidade das suas obras. Vá em frente e depois me conte sua experiência!

 

Gostou? Comente e compartilhe! Terei prazer em ler!

Aproveito e convido você a ler e-cordel A Origem do Repente!

Um abraço, João Santana

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